Cirurgia para fraturas na face: quando é indicada e como funciona

A cirurgia para fraturas na face faz parte da atuação da cirurgia crânio-maxilo-facial e pode ser necessária quando um trauma atinge estruturas como nariz, mandíbula, maxila, órbita, maçã do rosto e outros componentes da face.

E veja: depois de uma pancada no rosto, é comum sentir dor, inchaço, hematomas ou mudança no formato da região atingida – certo?

Mas uma fratura facial não deve ser avaliada apenas pelo aparência do rosto..

Dependendo da área afetada, o trauma pode interferir na mastigação, na respiração, na visão, na simetria facial e no contorno ósseo. 

Por isso, o diagnóstico precisa considerar função, estética e estrutura ao mesmo tempo.

Nem toda fratura na face precisa de cirurgia. Mas toda suspeita de fratura facial merece avaliação adequada, principalmente quando há deformidade, alteração funcional ou mudança perceptível no rosto.

Vamos falar sobre isso? Acompanhe.

O que são fraturas na face

Vamos começar pelo básico: fraturas na face são um tipo de trauma e elas ocorrem quando há quebra ou fissura nos ossos que formam o esqueleto facial. 

No entanto, quando falamos em trauma, estamos falando de além de ossos, também de cartilagem, musculatura e pele. Todo trauma precisa ser avaliado, mas nem todos evoluem para uma cirurgia. Muitos exigem apenas cuidados locais ou observação. 

As fraturas, no entanto, são associadas às condições esqueléticas e também precisam de avaliação minuciosa, pois têm maior chance de precisar de intervenção cirúrgica. Elas podem acontecer depois de quedas, acidentes de trânsito, pancadas em esportes, agressões, acidentes de trabalho ou outros.

E aprofundando um pouco mais, é importante compreender que a face é formada por estruturas ósseas conectadas entre si. Por isso, uma fratura pode atingir uma região isolada ou envolver mais de uma área ao mesmo tempo.

  • Uma fratura no nariz pode prejudicar a respiração. 
  • Já uma fratura na mandíbula pode alterar a mastigação e a fala. 
  • Enquanto isso, uma fratura na órbita pode acometer a visão. 
  • E uma fratura no zigoma pode modificar a projeção da maçã do rosto e causar dormência na bochecha, no lábio superior ou até dificultar a abertura da boca

Por isso, o tratamento não deve considerar apenas o osso quebrado, mas também o impacto funcional e estético do trauma.

Quais regiões da face podem ser afetadas por um trauma ou uma fratura e o que acontece

Os traumas e fraturas faciais podem envolver diferentes regiões. Veja.

Nariz 

O trauma pode causar fratura dos ossos nasais, desvio, sangramento, obstrução nasal e alteração estética.

Mandíbula

Aqui, pode haver dor ao mastigar, dificuldade para abrir a boca, alteração na mordida, mobilidade anormal ou dormência no lábio inferior.

Maxila

O trauma pode interferir nos dentes superiores, na mordida, no palato, na projeção do terço médio da face e em estruturas próximas ao nariz e aos olhos.

Órbita

Na região óssea ao redor dos olhos, a fratura pode causar visão dupla, dor ao movimentar os olhos, alteração da posição ocular ou limitação dos movimentos oculares.

Zigoma 

Nessa área, que é conhecida como maçã do rosto, pode haver afundamento da região, assimetria, dificuldade para abrir a boca e alteração da sensibilidade da bochecha.

Em traumas mais extensos, várias dessas estruturas podem estar comprometidas ao mesmo tempo.

Quando fazer uma cirurgia para fraturas na face

A cirurgia pode ser indicada quando a fratura causa deslocamento ósseo, deformidade ou prejudica a função: alteração na mordida, prejuízo respiratório, alteração visual ou risco para outras estruturas importantes.

De forma geral e resumida, o tratamento cirúrgico busca reposicionar os ossos e mantê-los estáveis durante a cicatrização. Em alguns casos, isso pode envolver placas, parafusos, ou outras técnicas conforme a região afetada e a gravidade da fratura.

Algumas fraturas sem deslocamento importante e sem prejuízo funcional podem ser acompanhadas clinicamente. Outras precisam de cirurgia para recuperar estrutura, função e simetria.

A decisão depende da região fraturada, do grau de deslocamento, do tempo desde o trauma, dos sintomas, dos exames de imagem e da saúde geral do paciente.

Sinais de que a cirurgia para fraturas na face pode ser necessária 

Alguns sinais após uma pancada no rosto merecem atenção. Veja o que considerar para procurar uma avaliação e entender se é ou não necessário operar.

  • alteração na mordida;
  • dificuldade para mastigar;
  • limitação para abrir a boca;
  • dor intensa ou progressiva;
  • nariz torto após trauma;
  • obstrução nasal;
  • sangramento nasal;
  • assimetria facial;
  • afundamento da maçã do rosto;
  • dormência na bochecha, lábio ou gengiva;
  • visão dupla;
  • dor ao movimentar os olhos;
  • sensação de que o olho mudou de posição.

Também é importante procurar atendimento imediato quando houver perda de consciência, confusão mental, vômitos após o trauma, sangramento intenso, dificuldade para respirar ou suspeita de lesão associada na cabeça, pescoço ou coluna.

O inchaço inicial pode esconder a fratura. Em alguns casos, o paciente só percebe a alteração quando a face começa a desinchar.

Por que uma fratura facial pode afetar mordida, respiração, visão e simetria?

A face tem função e estética ao mesmo tempo. 

A mandíbula e a maxila participam da mordida, da mastigação e da fala. Quando esses ossos se deslocam, os dentes podem deixar de encaixar corretamente.

O nariz participa da respiração. Um trauma nasal pode causar desvio, deformidade externa, obstrução nasal ou alteração da sustentação.

A órbita protege o olho. Uma fratura nessa região pode causar visão dupla, alteração da posição ocular e limitação dos movimentos dos olhos.

O zigoma e a maxila influenciam o contorno do terço médio da face. Quando há deslocamento, o paciente pode perceber afundamento, assimetria ou perda de projeção.

Por isso, uma fratura facial não deve ser tratada apenas pela consolidação óssea. O objetivo é recuperar a função e a forma sempre que possível.

Como é feita a avaliação após um trauma na face

A avaliação começa pela história do trauma: como aconteceu, quando aconteceu, qual região foi atingida e quais sintomas surgiram depois.

Depois, avalio simetria, contorno ósseo, sensibilidade, dor à palpação, abertura da boca, encaixe dos dentes, respiração nasal, posição do nariz e sinais de alteração ocular.

Dependendo do caso, podem ser solicitados exames de imagem. A tomografia é um dos exames mais importantes para avaliar fraturas faciais, especialmente em traumas complexos, orbitários, mandibulares, zigomáticos ou múltiplos.

Cirurgia para fraturas na face: como funciona minha consulta para cirurgia, simulação, planejamento e operação

Como otorrino e cirurgião crânio-maxilo-facial com foco em plástica e função, recebo muitos pacientes que procuram tratamento para traumas. Veja como funciona a jornada comigo.

Avaliação inicial

Na consulta, começo avaliando se o trauma alterou apenas a aparência ou se também comprometeu alguma função.

Além de ouvir o paciente, analiso nariz, mordida, mandíbula, maxila, órbita, zigoma, sensibilidade, respiração, abertura da boca, visão e simetria facial. A face precisa ser entendida como um conjunto.

Exames e simulação 3D

Solicito exames de imagem, porque ajudam a entender a extensão do trauma. A tomografia, por exemplo, permite avaliar os ossos em três dimensões, identificar deslocamentos e comparar os dois lados da face.

Também faço a simulação 3D do rosto do paciente, para termos uma noção de como ficará o resultado estético. Com o ok para seguirmos, realizo planejamento com profundidade.

Planejamento cirúrgico

Quando a cirurgia é indicada, o planejamento define quais ossos precisam ser reposicionados, quais estruturas devem ser preservadas, qual acesso será mais adequado e que tipo de fixação pode oferecer estabilidade.

O objetivo é corrigir a fratura sem perder de vista função, segurança, simetria e harmonia facial. 

Cirurgia e acompanhamento

A cirurgia pode envolver reposicionamento ósseo, fixação com placas e parafusos, reconstrução de estruturas ou correção de deformidades. Tudo é feito de maneira individualizada, clara e transparente junto ao paciente.

Depois do procedimento, o acompanhamento é parte essencial do tratamento. A cicatrização, a função, a mordida, a respiração, a sensibilidade e a simetria precisam ser observadas ao longo da recuperação.

Foto antes e depois: cirurgia para fraturas e traumas na face

Trago um exemplo de antes e depois de cirurgia para correção de trauma no nariz, que realizei há poucos dias, de uma paciente minha. Aqui, o registro foi feito logo após a operação, ainda na mesa do centro cirúrgico. 

Mas é interessante falar sobre seu caso individualmente e fazer a simulação 3D do seu próprio rosto, se você passou por um episódio de trauma ou fratura.

Quando procurar um cirurgião crânio-maxilo-facial

Como cirurgião crânio-maxilo-facial, falo com segurança: procure-nos assim que houver a fratura na face. 

Situações como deformidade após trauma, alteração na mordida, dificuldade para abrir a boca, dor ao mastigar, nariz torto após pancada, obstrução nasal, assimetria facial, dormência, visão dupla ou alteração no contorno do rosto também são sinais importantes de que a avaliação é necessária.

E a avaliação também vale para fraturas antigas, principalmente quando ficaram sequelas funcionais ou estéticas.

Quanto mais cedo a fratura é diagnosticada, melhor tende a ser o planejamento do tratamento.

Perguntas frequentes sobre cirurgia para fraturas na face

Toda fratura na face precisa de cirurgia?

Nem sempre. Algumas fraturas podem ser acompanhadas clinicamente, especialmente quando não há deslocamento importante, deformidade ou prejuízo funcional. Mas existem as que precisam de cirurgia para recuperar estética e função.

Qual exame mostra fratura na face?

A tomografia costuma ser um dos exames mais importantes para avaliar fraturas faciais, principalmente em traumas complexos ou próximos da órbita, mandíbula, maxila e zigoma. Mas cada caso é um caso e podem ser necessários outros exames.

Fratura no nariz pode afetar a respiração?

Pode. Um trauma nasal pode causar desvio, deformidade externa, alteração do septo e obstrução nasal.

Fratura na mandíbula pode mudar a mordida?

Sim. Fraturas mandibulares podem alterar o encaixe dos dentes, causar dor ao mastigar e dificultar a abertura da boca.

Fraturas antigas na face ainda podem ser tratadas?

Em alguns casos, sim. O tratamento depende da sequela, da região afetada, dos exames e da avaliação individualizada.

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